Friday, December 23, 2005

Metro

Há um homem que toca acordiõn.
Há uma mulher que olha para o nada.
Há um rapaz feio.
Há o chão sujo.
Há as linhas de metro.
A linha Amarela
A linha azul.
A linha Vermelha.
De Que cor será esta última?

Há um monhê que vende a revista Cais.
Há as pessoas que saiem.
Há as pesssoas que entram.

Há a tosse,
O choro,
O sorriso,
As manias e os tiques.
O bater constante dos pés,
O barulho de vários olhos a piscarem.

Existe vida de baixo da cidade.
São os ratos,
Os ferros,
As pessoas,
As portas que batem
E os sonhos que se cruzam

Corpse Bride





Eu quero ir ver este filme!

Tuesday, December 20, 2005

Ele

Ele disse-me que se mandasse acabaria com tudo o que há de mal neste mundo.

E eu diria....
* O Que é mau para ti pode ser bom para alguém*

Ele pensou que eu tinha percebido.
*O que é bom para mim, seria bom para ti, e só quero assim um mundo bom para nós*



E para os outros o que fica?

Monday, December 19, 2005

Deus

Quando vou á missa, á entrada da Igreja, não me bezo perante o altar. Eu não me benzo quando toda a gente se benze. Eu não me ajoelho. Eu não rezo. Eu não beijo a face do menino Jesus. Eu não... Eu pura e simplesmente penso que Deus não está aí. Eu acho que Deus não está na Igreja. Deus está noutro sitio qualquer, mas não alí. Eu não me ajoelho, sobre os meus joelhos não estão as suas mãos para me amparar. Deus não é uma figura humana, mas também não é o boneco de porcelana que colocamos no presépio.

O que é Deus?
Quem é Deus?

Não é Deus que me sopra ao ouvido estas palavras que aqui escrevo. Não é Deus que me traça o destino. Não sou ninguém para dizer que ele não existe. Sou alguém para evitar uma verdade absoluta, para seguir um dogma, para me deixar ir por algo aque alguém disse ou escreveu. Porque essa pessoa não é Deus...

Deus não me castiga. Deus a nada me obriga.

Não sou egoista, mas Deus se existisse, existiria apenas para mim. Porque cada um sabe de si, e ninguém sabe de ninguém. Porque o amor que tenho não é por Ele, mas sim pela minha familia, pelos mes amigos, pela criança que no outro dia me pediu um doce.

O meu amor não é como o de Deus, apenas para quem merece. O meu amor é para quem me ama, essa pessoa poderá ser a pior ou a melhor, não importa, mas apenas o seu amor.

E a Deus o que resta?

Não sei...

Saturday, December 17, 2005

Chopin - Nocturne 2

Sim, existe uma utopia dentro de mim, que cresce á medida do meu corpo. Existe também algo que amanhece de cada vez que sorrio. Sei o que é, mas tenho medo de evocar a palavra. Não, não é amor. O amor faz sofrer, e doi como mil espadas trespassadas num coração. É algo de tal maneira inocente que me faz sentir ignorante, porque só os que não sabem são felizes. Sim! Só sorriem os que não sabem! As lágrimas assim sendo, pertencem aos poetas, aos pintores, aos cientistas, aos que de alguma maneira dedicam a vida a algo que vem deles e não ao que está cá fora.

O amor é solidão...

A palavra felicidade não é minha. A verdadeira, apenas me pertence quando me digo a mim mesma que estou aqui, sem ti, mas estou bem.

Sim, eu estou aqui e estou bem.

E tu? Como estás?

Friday, December 16, 2005

Aqui

Há um múrmurio em algum lado que não consigo decifrar. É uma voz longinqua que me fala, como se tratasse de um espirito que me possui de cada vez que o ouço. Não, não é a minha consciência, mas também não é um demónio. Também não é Deus. Supostamente Deus seria grandioso.

Isto é um sussurro que não percebo, pequeno, agudo e ligeiro. Ás vezes sinto que não o quero ouvir, e então começo a tocar desafinadamente num piano velho. Não sei tocar, não interessa, gosto de passar os meus dedos por ele. Sem consciência, sem nada...

E se a voz se torna mais intensa, eu escrevo... Escrevo sobre tudo. Sobre mim e o meu destino. Gosto de escrever sobre nada, sobre o abstracto e o que não conheço. Gosto de saber que quase nada não entendo... É bom viver uma vida á procura, e a minha procura é a perfeição no som que toco, nas palavras que escrevo, nas voz que ouço.